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Cidades utilizam tecnologia para conter alta de feminicídios no Brasil

  • 07-03-2026 00:04


  • No Dia Internacional da Mulher, a reflexão sobre a segurança feminina no Brasil baseia-se em uma estatística alarmante: o país nunca registrou tantos feminicídios como antes.

    Em 2025, foram 1.568 mulheres assassinadas – uma média de quatro mortes por dia, segundo dados oficiais do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

    O número representa um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. A fim de frear essa escalada de violência contra a mulher, municípios brasileiros estão adotando uma tecnologia como nova aliada nas ruas: os postos eletrônicos, mais conhecidos como totens de segurança.

    Desenvolvidos para atuar em espaços públicos, os equipamentos funcionam como postos avançados de monitoramento e socorro, com o objetivo de reduzir o tempo de resposta das forças policiais e de criar uma rede de proteção imediata e acessível para mulheres em situação de risco. Anuário Brasileiro de Segurança Pública;Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2026. Divulgação. Como funciona a tecnologia? Os totens de segurança contam com um sistema luminoso para alertar imediatamente à polícia em caso de sinal de movimentação e perigo.

    No entanto, o principal diferencial está na interatividade e na vigilância.

    Equipados com botão de emergência, quando acionados, conectam a vítima à central de segurança; um comunicador que permite que ela converse em tempo real com um agente, relatando a ocorrência; um sistema de áudio, capaz de enviar alertas à população e reproduzir mensagens automáticas; e câmeras 360°, que garantem o monitoramento contínuo do perímetro, gravando toda a ação e auxiliando na identificação rápida de agressores. De acordo com Edison Endo, diretor da Helper Tecnologia, empresa detentora da patente dos equipamentos, os totens atuam como pontos estratégicos de proteção em espaços públicos, oferecendo acionamento imediato em situações de risco e monitoramento em tempo real.

    "A presença visível do equipamento funciona como fator inibidor de abordagens violentas, além de ter um papel importante na identificação do agressor", explica. Flagrantes e prisões na prática A eficácia do sistema já foi comprovada nas ruas, com casos que culminaram na prisão de agressores antes que ocorresse o pior.

    Por respeito à privacidade das vítimas, dados pessoais sensíveis não são expostos, mas já foram publicados registros oficiais que evidenciam o impacto da tecnologia.

    Em Porto Alegre, por exemplo, uma mulher vítima de violência doméstica conseguiu fugir e acionar um totem instalado em via pública.

    A resposta imediata da Guarda Municipal resultou na prisão do agressor. Em Guaíra, interior de São Paulo, o monitoramento preventivo pelas câmeras do totem ajudou na identificação de uma agressão contra uma mulher grávida.

    As imagens permitiram que agentes da Guarda Civil Municipal fossem enviados rapidamente ao local, efetuando a prisão em flagrante do agressor. Integração com órgãos de segurança Para que o resgate seja eficaz, a tecnologia atua em parceria com prefeituras e órgãos de segurança pública.

    Sempre que possível, o sistema é integrado à rede local de proteção, acionando de imediato a Guarda Civil Municipal (GCM), a Polícia Militar e, dependendo da estrutura do município, as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e as secretarias responsáveis por políticas públicas para mulheres.

    No contexto da violência contra a mulher, os totens ampliam o acesso à ajuda emergencial, reduzem o tempo de resposta e fortalecem a rede de proteção local.

    A tecnologia atua de forma complementar, fortalecendo o sistema de encaminhamento adequado das vítimas. Tecnologia como apoio, não substituta Atualmente, os totens de segurança já estão implantados em mais de 80 cidades brasileiras, espalhadas por 15 estados.

    A expansão abrange inclusive São Paulo, que registrou o maior número absoluto de feminicídios em 2025, com 270 casos.

    Na sequência das estatísticas nacionais aparecem Minas Gerais (177), Rio de Janeiro (104), Bahia (102), Pernambuco (88) e Paraná (87). Apesar de impedirem o avanço da violência, os próprios desenvolvedores reforçam que o equipamento é apenas uma ferramenta em um cenário muito mais complexo.

    A violência contra a mulher é um problema estrutural que exige políticas públicas amplas, educação e conscientização social.

    A tecnologia não substitui essas ações, mas pode ser uma aliada estratégica na ampliação da rede de proteção. Ao registrar ocorrências e monitorar perímetros em tempo real, o sistema gera uma base de dados que permite ao gestor público atuar na prevenção da criminalidade.

    Dessa forma, é possível investir em estratégias baseadas em evidências, direcionando recursos de maneira assertiva para áreas que demandam reforços específicos, como melhorias na iluminação ou intensificação do patrulhamento. Cidades mais inteligentes e seguras O debate sobre como transformar espaços urbanos em ambientes mais seguros e sustentáveis é o pilar central da 7ª edição do Smart City Expo Curitiba, que ocorre entre os dias 25 e 27 de março na Arena da Baixada.

    Sob o tema “Cidades para Criar, Inovar e Vivenciar”, o evento busca demonstrar na prática como a tecnologia pode ser aplicada para garantir que todos os cidadãos consigam ter mais qualidade de vida. Cidades verdadeiramente inteligentes são aquelas que acolhem e protegem todos os grupos, incluindo os mais vulneráveis.

    Dados do IBGE de 2022 revelam que a percepção de segurança nas cidades brasileiras ainda é desigual: enquanto 58% dos homens se sentem seguros, esse índice cai para 51,6% entre as mulheres.

    Essa disparidade gera mudanças diretas de comportamento, fazendo com que as mulheres evitem chegar tarde em casa, conversar com desconhecidos ou frequentar locais de lazer públicos como forma de minimizar riscos.

    No contexto do Dia Internacional da Mulher, ressaltar a segurança feminina é reforçar como a falta desse critério afeta a vivência das mulheres nas cidades. A Helper Tecnologia estará presente no evento para demonstrar como suas soluções auxiliam gestores públicos a estruturarem redes de proteção que garantam que nenhum pedido de socorro fique sem resposta.

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    Fonte: G1