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Cinco são presos suspeitos de aplicar golpe do falso advogado; grupo usava 'bot' em buscas nos sistemas públicos da Justiça
08-04-2026 08:17

Golpe do falso advogado registra mais de 3 mil vítimas no Paraná
Uma investigação da Polícia Civil do Paraná resultou na prisão de cinco pessoas, nesta terça-feira (7), suspeitas de aplicar o golpe do falso advogado em vítimas de todo o Brasil.
As prisões foram em São Paulo e no Ceará.
Os nomes dos presos não foram divulgados. ➡️ No golpe do falso advogado, os criminosos usam dados reais de processos judiciais — como nomes, números de ações e valores — para se passar por advogados ou funcionários de escritórios pelo WhatsApp.
🚨´Em geral, eles convencem a vítima a antecipar pagamentos via PIX ou boleto para liberar falsos precatórios ou indenizações, ou ainda induzem a vítima a espelhar a tela do celular, visualizam dados bancários e drenam as contas. Na delegacia de Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, mais de 20 boletins de ocorrência foram registrados no último mês sobre o "Golpe do Falso Advogado".
Duas vítimas relataram um prejuízo somado de R$ 140 mil. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp As investigações da polícia apontaram que os golpistas usavam um "bot", espécie de programa automático, para fazer buscas em massa nos sistemas públicos da Justiça.
Com isso, eles conseguiam ter acesso aos dados e repassavam a informação em grupos de mensagens.
Com o material em mãos, eles escolhiam as vítimas. "Eles levantam ali o nome das pessoas, as partes envolvidas, os valores envolvidos nesse procedimento para que isso alimente o núcleo operacional, que é quem efetivamente entra em contato com a vítima e faz toda essa engenharia social para subtrair os valores das contas bancárias", explica o delegado Gabriel Fontana, responsável pelas investigações. Mensagem enviada para as vítimas usava números e dados de processos reais Reprodução Um dos grupos de mensagens identificados pela polícia tinha ao menos 44 integrantes.
Lá, os criminosos compartilhavam informações de processos e orientações sobre como aplicar golpes.
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Os criminosos usavam também documentos falsos, com logo do Tribunal de Justiça e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Criminosos usavam documentos falsos, com logo do Tribunal de Justiça e da OAB Reprodução Uma das vítimas, que optou por não ter a identidade revelada, contou à RPC que perdeu R$ 11 mil.
Os golpistas disseram que ela tinha vencido uma ação na Justiça e que havia mais de R$ 20 mil para receber.
Para isso, porém, ela precisaria participar de uma audiência virtual.
O perfil fake usava a foto e o nome da advogada que representa a vítima em um processo real. A vítima foi induzida a espelhar a tela do próprio celular.
Com isso, os criminosos tiveram acesso às contas bancárias dela. "Eles têm uma lábia.
Ele falava o tempo todo para mim que era o juiz fulano de tal, ele falava o nome certinho, completo, falou que estava com tabelião, que estava com o escrivão.
Ele foi criando todo um cenário e, infelizmente, eu caí nessa", desabafa. Segundo a polícia, o crime funcionava por meio de três camadas: A abordagem: O criminoso informa a existência de valores a receber de processos judiciais. A simulação: É montada uma falsa audiência virtual com figurantes se passando por advogado, promotor e juiz. A técnica: Usando urgência, os golpistas induzem a vítima a espelhar a tela do celular.
Com o espelhamento, eles visualizam dados bancários e drenam as contas. Além disso, o grupo era organizado em três núcleos especializados: Inteligência: Coletava dados privilegiados dentro de sistemas oficiais. Execução: Realizava o contato e interpretava o falso advogado. Lavagem: Movimentava e ocultava o dinheiro desviado. Advogados também são alvos Os advogados também são alvos dos criminosos, que utilizam o nome e a foto dos profissionais.
Apesar disso, eles não são tratados como vítimas pela Polícia Civil. "A vítima direta do estelionato a gente trata como a pessoa que realmente perdeu o dinheiro, perdeu os seus valores.
O advogado tem a situação de um indivíduo se passando por ele, por meio de uma falsa identidade, mas propriamente a vítima dos golpes nós entendemos que é quem teve o dinheiro subtraído", explica o delegado. Para os advogados que passam pela situação, isso aumenta a impunidade.
A advogada Gabrielle Ukan já teve o nome e a foto usados várias vezes pelos criminosos.
Cansada da situação, ela chegou a responder um dos golpistas. "Eu mandei: 'E aí, doutora Gabriele entre aspas, tentando aplicar o golpe novamente? Enviei à delegacia'.
Ele me respondeu dando risada, o que nos deixa ainda mais revoltados com essa situação", desabafa. Criminoso riu após ser abordado pela verdadeira advogada Reprodução Alerta A OAB criou uma Comissão de Inteligência e Combate ao Golpe do Falso Advogado para acompanhar os casos.
A vice-coordenadora, Bárbara Ferrassioli, alerta que audiências judiciais seguem critérios. "As audiências de verdade não são marcadas da noite para o dia.
Elas seguem uma pauta do juízo.
Essa pauta normalmente é organizada com meses de antecedência.
Se você recebeu essa pressão, essa urgência do tipo: 'Entre hoje no link.
Tem que ser agora.
Precisamos que você confirme seus dados bancários para o juiz'.
Desconfie.
Isso não existe.
Isso é golpe", orienta. Segundo dados da OAB-PR, em 2025, foram registradas 2.103 denúncias, sendo 557 casos com prejuízo (26,5%) e 1.546 sem prejuízo (73,5%).
Em 2026, até o momento, são 1.431 registros, com 310 casos com prejuízo (21,66%) e 1.121 sem prejuízo (78,34%). As orientações para evitar cair no golpe do falso advogado são: Não responda de imediato mensagens de números desconhecidos. Sempre confirme as informações pelo número oficial do escritório, aquele que já estava salvo ou que consta no site oficial. O advogado precisa acompanhar o cliente na audiência.
Juiz não liga pedindo dados bancários, não pede senha, não pede espelhamento de WhatsApp ou acesso ao celular. Para liberação de alvará judicial, o único dado necessário é a conta para depósito.
Nunca se pede senha ou acesso à conta. A OAB Paraná reforça que a denúncia é fundamental para coibir a prática criminosa, apoiar as investigações e evitar novas vítimas.
A orientação é que qualquer tentativa de golpe seja comunicada imediatamente às autoridades e à Ordem. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.
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