NOTÍCIAS
Júri popular vai decidir se acusados de atacar jovem com soda cáustica no Paraná cometeram tentativa de feminicídio
04-06-2026 14:31

Jovem é atacada com ácido enquanto ia para a academia e fica em estado grave
Os acusados de jogar soda cáustica em Isabelly Aparecida Ferreira Moro em maio de 2024, em Jacarezinho, no norte do Paraná, vão a júri popular na próxima segunda-feira (8).
O julgamento está marcado para começar às 9h, no fórum criminal da cidade.
Isabelly foi atacada enquanto ia para a academia.
Em um vídeo gravado por uma câmera de monitoramento, a vítima aparece correndo em busca de ajuda após ser atingida.
A vítima teve queimaduras de segundo grau.
Relembre o caso acima.
O ex-namorado da jovem, Marlon Ferreira Lemes, foi apontado como o responsável por planejar o ataque, enquanto Débora Aparecida Custódio Ferreira, que na época era companheira dele, executou o crime.
Diante das provas colhidas durante o processo, os dois são acusados de tentativa de feminicídio contra Isabelly. ✅ Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp Quando o juiz Renato Garcia decidiu que o caso seria submetido ao Tribunal do Júri, ele também considerou que o crime foi cometido com três agravantes: Recurso que dificultou a defesa da vítima: Por Isabelly ter sido atacada de surpresa pela executora do crime, que, para evitar ser reconhecida, usava um disfarce; Motivo torpe: diante do sentimento de posse que Marlon nutria em relação à vítima e de vingança pelo término do relacionamento, enquanto Débora nutria ciúmes e inveja da vítima; Meio cruel: devido à utilização de soda cáustica, produto químico altamente tóxico e corrosivo, com o objetivo de causar intenso sofrimento a Isabelly.
O caso será analisado pelo Conselho de Sentença, que vai decidir se as qualificadoras foram realmente comprovadas. Jovem é atacada com ácido no meio da rua no norte do Paraná Reprodução/Arquivo pessoal Durante o julgamento, serão ouvidas todas as testemunhas e a vítima.
Os acusados também poderão ser interrogados.
O advogado de acusação, Ilton Inácio, que representa Isabelly, informou que não apresentou testemunhas extras para o julgamento e que serão utilizadas "as mesmas provas testemunhais já constantes dos autos e produzidas durante a instrução processual". "A Assistência de Acusação atuará buscando que os fatos sejam integralmente apreciados pelos jurados à luz das provas produzidas ao longo da investigação e da instrução processual.
O objetivo será demonstrar aos jurados os elementos constantes dos autos, permitindo que o Conselho de Sentença forme sua convicção de maneira livre, soberana e fundamentada nas provas apresentadas em plenário", disse o advogado.
Marlon está preso preventivamente na Penitenciária Estadual de Londrina e Débora está na Cadeia Pública de Santo Antônio da Platina.
Ao g1, a advogada Tatiane Souza Paiva, que atua na defesa de Marlon, disse que o caso não possui elementos que caracterizem tentativa de feminicídio e confia que o julgamento vai ocorrer com base nas provas dos autos. Em nota ao g1, o advogado Jean Campos, que atua na defesa de Débora, disse que o julgamento será uma oportunidade de relatar as violências física, psicológica e emocional que sofreu ao longo dos anos, além de um histórico de abusos e agressões praticados por Marlon.
Disse também que, durante o processo, a cliente conseguiu uma medida protetiva contra o ex.
Leia as notas na íntegra abaixo.
LEIA TAMBÉM: Mistério: Influencer filma luzes estranhas da varanda de casa e levanta suspeita de OVNIs no Paraná; Quase 200 reclamações: Justiça proíbe bar que fica próximo a hospital de realizar eventos com som alto; Polícia investiga caso: homem se arrasta por faixa de pedestres e morre após ser atropelado Acusados confessaram o crime em depoimento Marlon Ferreira Neves, acusado de ser o mandante do ataque com soda cáustica Reprodução/RPC No documento em que o g1 teve acesso, Marlon e Débora confessaram o crime em um depoimento prestado durante o processo.
Eles foram denunciados pelo Ministério Público (MP-PR) no dia 7 de junho de 2024.
Marlon confessou que planejou o crime com Débora.
Ele disse que o objetivo era dar "susto" em Isabelly, pois supostamente ela estaria passando em frente à cadeia no horário de visitas e debochando de Débora.
De acordo com o documento, Débora foi quem praticou o ataque e lançou a soda cáustica em Isabelly.
Ela contou no depoimento que Marlon comprou o material antes de ser preso e fez pesquisas sobre o produto.
A acusada também disse que ele orientou que ela estivesse disfarçada no momento do ataque.
"Ele queria jogar a soda nela para deixá-la feia", contou Débora, no depoimento.
Soda cáustica: Entenda danos que o produto químico pode causar ao organismo Isabelly foi atingida no rosto e na região peitoral.
A vítima teve queimaduras de segundo grau na boca, cavidade orofaríngea, hipofaringe e tronco.
Além disso, ela também teve lesões no lábio superior e inferior e cavidade oral.
No hospital, a jovem ainda teve um quadro infeccioso e foi submetida a intubação para ventilação mecânica e sedação.
Foram cerca de 30 dias internada no Hospital Universitário de Londrina (HU), até receber alta. 'Me recuperando aos poucos', diz jovem atacada com soda cáustica em rua do Paraná Relembre o caso Isabelly foi atacada na tarde de 22 de maio de 2024, enquanto ia para a academia.
O ataque aconteceu na Alameda Padre Magno, na região central de Jacarezinho.
A academia para onde a jovem ia fica na mesma rua.
Um barbeiro viu Isabelly pedindo ajuda, a colocou no carro e a levou para o hospital. Após o ataque, uma testemunha encontrou uma sacola preta e um copo, que estavam molhados.
O material foi recolhido para análise. Sacola e o local com a marca do produto jogado na jovem Reprodução Posicionamento das defesas Defesa de Marlon: "A defesa de Marlon Ferreira Lemes reafirma que não existem provas seguras nos autos capazes de demonstrar que o acusado tenha ordenado, participado ou contribuído para os fatos narrados na denúncia.
Além disso, sustenta que o caso não reúne elementos que caracterizem tentativa de feminicídio, inexistindo demonstração de intenção de matar, circunstância que será devidamente debatida perante o Tribunal do Júri.
A defesa confia que o julgamento ocorrerá com base exclusivamente nas provas produzidas nos autos, em respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência", disse a advogada Tatiane Souza Paiva. Defesa de Débora: "A defesa recebe com tranquilidade a proximidade do julgamento, pois será a oportunidade de Débora relatar, perante o Conselho de Sentença, toda a violência física, psicológica e emocional que sofreu ao longo dos anos, culminando nos fatos que serão analisados pelo Tribunal do Júri.
Durante a instrução processual, foram produzidas provas que revelam um histórico de abusos e agressões praticados por Marlon.
No plenário, esses elementos serão apresentados e debatidos de forma ampla, permitindo que os jurados compreendam todo o contexto que envolveu os acontecimentos.
A defesa acredita que o Conselho de Sentença decidirá com base nas provas constantes dos autos e reconhecerá que Débora também foi vítima de Marlon, submetida por longo período a um ciclo de violência do qual não encontrou proteção efetiva, mesmo após situações que já eram de conhecimento das autoridades competentes.
É no julgamento, diante dos jurados, que toda a verdade poderá ser exposta e analisada em sua integralidade", disse o advogado Jean Campos.
VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Norte e Noroeste.
.