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Mãe do PR que adotou três crianças tendo quatro biológicos decidiu iniciar processo ao sentir 'algo diferente' em despedida no acolhimento

  • 31-12-1969 21:00


  • Mãe de quatro filhos biológicos, paranaense aumenta família e adota três crianças Andreia Cristina Pinheiro Jarletti, que adotou três crianças tendo quatro biológicos, decidiu iniciar processo de adoção ao sentir "algo diferente" durante a despedida de uma criança acolhida durante o projeto Família Acolhedora.

    Ela e o marido, Nóbili Augusto Jarletti, participaram do programa durante 10 anos, em Maringá, no norte do Paraná. A criança é Vitória, de 12 anos, que foi adotada pelo casal.

    Durante as visitas a ela no abrigo, Andreia também conheceu os irmãos Ezequias e Richardy, de 11 e 9 anos, e também os adotou.

    Todo o processo foi concluído em novembro de 2025, e eles passaram a ser oficialmente irmãos de Pedro, de 2 anos, Maria, de 6, Clara, de 10, e Sofie, de 14, que são filhos biológicos do casal.

    "Quando a gente se despediu da última acolhida, que foi a Vitória, a gente sentiu algo diferente.

    Eu vi que não queria mais apenas cuidar por um momento.

    Vi que eu queria cuidar para sempre.

    Foi ai que a gente decidiu adotar", disse Andreia.

    ✅ Siga o g1 Maringá no WhatsApp Para entrar com o processo de adoção, Andréia e Nóbili deixaram o projeto Família Acolhedora.

    Isso porque um dos requisitos para participar do programa de acolhimento é não ter interesse em adotar. 🔎 O Serviço Família Acolhedora no Paraná é uma medida protetiva que cadastra e capacita famílias voluntárias para acolherem, temporariamente, crianças e adolescentes afastados de suas famílias de origem por ordem judicial, devido a situações de vulnerabilidade, negligência ou violência.

    É uma alternativa ao acolhimento institucional (abrigos), oferecendo cuidado individualizado em ambiente familiar. Andreia Cristina Pinheiro Jarletti e os sete filhos. Cedidas/Andreia Cristina Pinheiro Jarletti Vitória, Ezequias e Richardy viviam no Abrigo Municipal de Maringá, no Norte do Paraná.

    Meses antes de serem adotadas, o local registrou uma série de problemas, tendo até fuga de crianças.

    À época, Andreia e o marido, inclusive, foram procurados para abrigar por uma noite cerca de 12 crianças.

    Entre elas, também estavam Vitória, Ezequias e Richardy.

    Meses após a situação, eles conseguiram oficialmente a adoção dos três.

    "Querendo ou não, a gente enfrenta muitos preconceitos.

    A gente vive isso no dia a dia, com frases e palavras bem difíceis.

    Muitas pessoas deixaram de ser nossos amigos, de conversar com a gente, depois que a gente concluiu os processos de adoção.

    Mas em contrapartida, outros também veem: o que seria dessas crianças se não tivesse alguém que acreditasse nelas?", conta. Leia também: Hantavírus no Paraná: Casos são de fevereiro e abril, mas só foram divulgados em maio Pinhão engorda? Veja tabela nutricional e como encaixar a semente na dieta Previsão do tempo: Paraná recebe alerta de tempestades e geadas Adaptação Andreia Cristina Pinheiro Jarletti em família. Cedidas/Andreia Cristina Pinheiro Jarletti Apesar da diferença de faixa etária entre os filhos, Andreia afirma que o período de adaptação tem sido positivo.

    Para ela, a confiança entre eles está sendo construída aos poucos e as relações de amor e cuidado estão em constante formação.

    Andreia descreve a maternidade como o ato de se doar aos filhos, em detrimento de si mesma — mesmo com os desafios e, muitas vezes, cansaço.

    Ela afirma que ser mãe é algo divino e confessa que o que mais gosta da maternidade é estar na companhia dos sete filhos.

    "Eu adoro passear com eles, ficar em casa com eles, assistir filme, conversar e estar com eles.

    Mesmo que esteja faltando um, fica aquele vazio.

    [...] Querendo ou não, é cansativo.

    Mas em nenhum momento eu me arrependo de ter tido os meus filhos biológicos, nem os meus filhos adotivos.

    Eu sempre falo que eu os amo, que eu os quero e sempre vou lutar por eles", afirma Andreia. Relembre: Sonho: Casal entra na fila para adotar duas crianças e acaba saindo com cinco Decisão em família Andreia Cristina Pinheiro Jarletti e família. Cedida/Andreia Cristina Pinheiro Jarletti Para adotar as outras crianças, Andreia não tomou a decisão sozinha.

    Ela contou com o apoio do marido e dos outros quatro filhos.

    Eles sabiam que ter a casa cheia sempre foi um sonho para ela e se alegraram em fazer parte desse plano.

    "Eu sempre quis ter muito muitos filhos.

    Desde que eu era criança, isso fez parte de mim, tanto nas brincadeiras, como nas conversas [...] Quando eu me tornei mãe da minha filha primogênita, isso floresceu.

    E aí eu tive certeza do meu dom, pela maneira de eu ser, pelo jeito de eu lidar com as situações da maternidade [...] Meu amor é multiplicado a cada dia", conta Andreia.

    Durante as visitas ao abrigo, Andreia sempre fez questão de levar os filhos biológicos.

    Aos poucos, as crianças também foram criando um vínculo com Vitória, Ezequias e Richardy.

    Durante o processo de adoção, inclusive, as crianças foram questionadas durante avaliação psicológica, se concordavam em ter mais irmãos em casa, e confirmaram a vontade.

    "Elas [filhos biológicos] ajudaram muito as crianças e isso foi muito bonito, porque eu sempre quis que elas vivessem outra realidade, bem diferente da que elas estavam acostumadas, na escola ou nas atividades que elas fazem [...] Hoje eles brigam igual irmãos mesmo, normal.

    Mas, se mexer com um deles, estão prontos para defender.

    Eles estão crescendo a cada dia juntos", explica.

    Andreia também afirma que, para dar conta da maternidade com vários filhos, o apoio do marido no dia a dia é imprescindível.

    Ela conta que, desde o começo, os dois "sonhavam o mesmo sonho". "Quando você ama alguém que já é do seu laço sanguíneo, faz parte.

    Mas amar alguém de fora, às vezes as pessoas acham tão difícil, mas não é.

    Então, que a nossa história com as adoções e outras várias possam fazer crescer o número de crianças adotivas e que elas não sejam mais tão numerosas em abrigos, como ainda são", finaliza Andreia.

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    Fonte: G1