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Megaoperação prende 61 suspeitos, incluindo dois vereadores do Paraná, por esquemas de jogos de azar e lavagem de dinheiro

  • 08-04-2026 18:13


  • Operação contra jogos de azar cumpre mandados em cidades do Noroeste Pelo menos 61 pessoas foram presas suspeitas de envolvimento com jogos de azar e lavagem de dinheiro em uma megaoperação chefiada pela Polícia Civil (PC-PR), realizada entre terça-feira (7) e quarta-feira (8).

    A ação ocorre em 27 cidades de cinco estados. Entre os investigados estão o presidente da Câmara de Cianorte, Víctor Hugo Davanço (Podemos), e o vice-presidente da Câmara de Goioerê, Marcelo Gaúcho (PSD).

    Ambos foram presos preventivamente, mas a polícia não detalhou a função de cada um na organização criminosa. Segundo a investigação, os suspeitos movimentaram bilhões de reais durante cerca de três anos, por meio de mais de 500 mil operações financeiras. ✅ Siga o g1 Maringá e região no WhatsApp A defesa do vereador de Cianorte, Víctor Hugo Davanço, informou que não teve acesso aos autos e que os fatos serão esclarecidos, demonstrando a inocência dele.

    A Câmara de Cianorte disse que não recebeu notificação oficial sobre a prisão do presidente e afirmou que está à disposição para colaborar com a investigação. A defesa do vereador de Goioerê, Marcelo Gaúcho, também declarou não teve acesso aos autos e que pretende comprovar a inocência do cliente.

    A Câmara de Goioerê informou que não recebeu notificação oficial. O g1 procurou os partidos Podemos e PSD, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem. À direita, Victor Hugo Davanço, presidente da câmara de Cianorte, à esquerda, Marcelo Gaúcho, vice-presidente da câmara de Goierê. Reprodução/Redes Sociais/Câmara de Goioerê Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a exploração de jogos de azar é proibida no Brasil.

    A legislação considera contravenção penal a prática de jogos em que o resultado depende principalmente da sorte, como o jogo do bicho e máquinas caça-níqueis, prevendo punições para quem explora ou participa dessas atividades. Segundo o decreto, explorar jogos de azar é considerado contravenção penal, com pena de prisão simples de três meses a um ano, além de multa.

    Já quem participa como apostador está sujeito apenas ao pagamento de multa. Leia também: Irati: Agentes descobrem esquema de contrabando com 'batedores' usando internet por satélite Entenda fenômeno: Ciclone extratropical deve provocar tempestades no Paraná Castro: Motorista tenta atropelar fiéis em procissão no Paraná Megaoperação A megaoperação mobilizou mais de 330 policiais e contou com apoio de três aeronaves durante os dois dias. Ao todo, foram expedidas 371 ordens judiciais, sendo 85 mandados de prisão preventiva, 102 de busca e apreensão e 184 de bloqueio de contas bancárias, visando o sequestro de R$ 1,5 bilhão.

    A ação ocorreu nas seguintes cidades: Paraná: Campo Mourão; Sarandi; Maringá; Cianorte; Londrina; Terra Boa; Curitiba; Goioerê; Cascavel; Cidade Gaúcha; Engenheiro Beltrão; Sabáudia; Marechal Cândido Rondon; Paraíso do Norte; Loanda; Medianeira; Faxinal; Apucarana e Alvorada do Sul. São Paulo: Praia Grande e São Paulo. Goiás: Anápolis; Valparaíso de Goiás; Anápolis; Goiânia. Santa Catarina: Caçador. Pará: Castanhal. Entre os presos estão lideranças do grupo, vereadores e integrantes dos núcleos financeiro e operacional, segundo a polícia. Foram apreendidos 132 veículos, avaliados em mais de R$ 11 milhões, 111 imóveis, estimados em R$ 32,9 milhões, e mais de cem cabeças de gado, somando R$ 43,9 milhões.

    A polícia também retirou do ar 21 sites de apostas ilegais. Em Cianorte, no Noroeste paranaense, os agentes encontraram carros de luxo, máquinas caça-níqueis e dinheiro em espécie.

    O município era apontado como base do grupo responsável por movimentar recursos ilegais para diversas regiões do país, segundo o delegado Marcos Felipe. "Conseguimos identificar um dos locais usados para lavagem de dinheiro, uma lotérica que funcionava como mini cassino, ao lado de outra lotérica ligada a um dos investigados, considerado um dos líderes da organização", afirmou. Operação jogos de azar Paraná PCPR Investigação e identificação da organização criminosa Segundo a polícia, as investigações começaram há mais de três anos em Grandes Rios, no norte do Paraná.

    Foram analisados mais de 2,6 terabytes de dados e 520 mil operações financeiras, com 57 afastamentos de sigilo bancário e 62 de sigilo fiscal. A apuração revelou a estrutura de um conglomerado criminoso formado pela fusão de dois dos maiores grupos de jogos ilegais do país, um paranaense e outro goiano.

    O grupo utilizava fintechs e contas de “laranjas” para ocultar a origem dos recursos e movimentava milhões de reais em milhares de transações consecutivas. Os suspeitos exploravam múltiplas modalidades de jogos de azar, organizados em liderança, núcleo financeiro, suporte tecnológico e operacional.

    "Também evidenciou-se a criação de empresas de fachada e fictícias voltadas para ocultar os rendimentos ilegais e assim dar uma aparência de licitude aos valores obtidos de forma criminosa, integrando na economia formal valores obtidos”, afirma o delegado. Além da lavagem de dinheiro, a investigação identificou uma empresa de tecnologia voltada ao desenvolvimento de sistemas e plataformas online de jogos de azar.

    Técnicos trabalhavam diariamente na manutenção de sites e softwares que controlavam o jogo do bicho e outras modalidades em pelo menos 14 estados. Polícia prende 61 suspeitos de jogos de azar e lavagem de dinheiro VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná. Veja mais notícias da região em g1 Norte e Noroeste.

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    Fonte: G1