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Mulheres muçulmanas são agredidas e uma delas tem hijab arrancado em ataque de intolerância religiosa em shopping do Paraná

  • 13-02-2026 20:07


  • Mulheres muçulmanas são agredidas e uma delas tem hijab arrancado em ataque de intolerânci Duas mulheres muçulmanas foram agredidas dentro de uma loja em um shopping de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, após um homem tentar arrancar o hijab delas — véu islâmico usado por algumas mulheres como expressão de fé religiosa.

    O ataque aconteceu na tarde de quinta-feira (12).

    O suspeito, de 33 anos, foi contido por seguranças e preso em flagrante por lesão corporal e racismo.

    A identidade dele não foi divulgada.

    O g1 tenta localizar a defesa. ✅ Siga o g1 Foz do Iguaçu e região no WhatsApp Segundo a Polícia Civil, o homem abordou as vítimas de forma violenta, sem motivo aparente.

    Ele tentou retirar o hijab da cabeça de uma delas e conseguiu arrancar o da outra.

    Diante da reação das mulheres, ele passou a agredi-las com socos. As duas vítimas são estrangeiras, uma de nacionalidade libanesa e outra síria, e fazem parte da comunidade árabe em Foz do Iguaçu.

    A cidade possui a segunda maior comunidade árabe do Brasil. “Foi apurado que ele tentou tirar o véu de uma das vítimas e, em outro momento, conseguiu arrancar o lenço da outra.

    Diante da recusa, passou a agredi-las fisicamente”, afirmou o delegado Geraldo Evangelista. Mulheres muçulmanas são agredidas e uma delas tem hijab arrancado em shopping, no PR As duas mulheres sofreram ferimentos e precisaram de atendimento médico.

    Testemunhas relataram à polícia que, durante o ataque, o agressor proferiu xingamentos de cunho discriminatório. O homem foi levado à Central de Flagrantes da 6ª Subdivisão Policial, onde foi autuado em flagrante pelos crimes de lesão corporal e racismo.

    Pela legislação brasileira, casos de intolerância religiosa podem ser enquadrados como crime de racismo.

    A lei prevê punição para práticas discriminatórias motivadas por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

    Nesses casos, a pena varia de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

    O crime é inafiançável e imprescritível, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi encaminhado à Cadeia Pública, onde passará por audiência de custódia. Em nota, o JL Shopping, onde aconteceram as agressões, informou que a equipe de segurança foi acionada.

    O suspeito contido pelos seguranças e encaminhado para fora do shopping center, conforme protocolo do estabelecimento. Leia também: Rodovia: Fila se forma em rodovia do Paraná após pane de caminhão, e motorista é morto enquanto aguardava liberação do trânsito ‘Só agradeci’: diz pai de crianças que saltaram de carro em movimento após soltarem freio de mão durante brincadeira, no PR Condenação: Ortopedista é condenado a 10 anos de prisão por cobrar dinheiro de pacientes por cirurgias feitas pelo SUS no Paraná Suspeito tem histórico de intolerância Viatura da Polícia Civil do Paraná DHPP Giuliano Gomes/PR Press De acordo com o delegado, o suspeito possui histórico de comportamento discriminatório.

    Há registros anteriores de invasões à mesquita da cidade, onde teria interrompido celebrações religiosas. “Esses dados serão encaminhados ao Poder Judiciário para análise e eventual adoção de medidas cabíveis”, disse o delegado. A mesquita sunita está no roteiro do city tour voltado à história e à cultura de Foz do Iguaçu; no total, são dez paradas Fabiula Wurmeister / G1 Direito ao uso do hijab é garantido pela Constituição Segundo a vereadora Anice Nagib Gazzaoui (PP), o uso do véu islâmico, conhecido como hijab, é um direito assegurado pela Constituição Federal e não pode ser interpretado como imposição ou forma de opressão.

    “O véu nunca foi e não pode ser considerado uma dor.

    Ele é uma vestimenta religiosa, amparada pelo artigo 5º da Constituição, que garante o direito à liberdade de crença, de culto e de expressão religiosa”, afirmou. Ela destaca ainda que a permissão para o uso do hijab em documentos oficiais é resultado de uma conquista histórica das mulheres muçulmanas.

    “As mulheres muçulmanas podem usar, sim, o hijab em seus documentos, assim como freiras e integrantes de outras religiões podem utilizar suas vestimentas.

    Essa é uma luta histórica conquistada pelas mulheres muçulmanas”, disse. Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Foz do Iguaçu manifestou repúdio ao episódio de agressão praticado contra as mulheres. “Trata-se de grave violação de direitos humanos configurando violação à integridade física, à dignidade da pessoa humana e à liberdade religiosa.

    Além da dimensão religiosa, o episódio também expõe a persistência da violência contra as mulheres em nosso país”, escreveu. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias no g1 Paraná .


    Fonte: G1