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Por que o alerta da Defesa Civil tocou alto de madrugada mesmo com o celular no silencioso?
20-06-2026 15:12

Por que alerta tocou tão alto nesta madrugada?
O alerta sonoro enviado a celulares de diferentes cidades do Brasil entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada deste sábado (20) causou susto não apenas pelo conteúdo da mensagem, mas também pela forma como ela apareceu: em volume alto, como uma sirene que continuava tocando até o usuário visualizar a mensagem e interromper o aviso, inclusive em aparelhos que estavam no modo silencioso.
A explicação está no próprio funcionamento do sistema.
O Defesa Civil Alerta, plataforma usada para avisos de emergência à população, foi desenhado para furar barreiras comuns do celular em situações de risco extremo.
Quando uma mensagem é classificada como “alerta extremo”, o aviso pode tocar em volume elevado e se sobrepor ao uso normal do aparelho, com o intuito de chamar a atenção de quem está em uma área sob ameaça. No caso desta madrugada, porém, a mensagem não correspondia a uma situação real de risco.
A Defesa Civil Nacional informou que a plataforma foi tirada do ar à 1h30 após sofrer uma invasão e disparar um alerta para várias regiões do país. Segundo o órgão, o envio foi ordenado remotamente por alguém de fora do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil e provavelmente se trata de um ataque hacker. A mensagem disparada era do tipo “Alerta Extremo” e trazia a palavra “misantropia”, sem relação com desastres naturais, eventos meteorológicos severos ou qualquer orientação de proteção à população. A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil afirmou que acionará a Polícia Federal e que o sistema só será religado quando as condições de segurança forem restabelecidas. Alerta da Defesa Civil com a palavra "misantropia" tocou nos celulares dos moradores de Campo Grande. Reprodução Como funciona o Defesa Civil Alerta O Defesa Civil Alerta é um sistema público criado para enviar avisos emergenciais a celulares localizados em áreas de risco.
Ele é usado em situações como chuvas intensas, enchentes, enxurradas, alagamentos, deslizamentos de terra, vendavais e outros eventos capazes de colocar a população em perigo. A tecnologia por trás da ferramenta se chama Cell Broadcast.
Diferentemente de mensagens comuns de SMS ou notificações de aplicativos, ela não envia o alerta para números cadastrados individualmente.
O aviso é transmitido pelas antenas de telefonia celular para todos os aparelhos compatíveis conectados à rede móvel em uma determinada área. Isso permite que a Defesa Civil envie uma mensagem para uma região específica, delimitada por critérios técnicos e geográficos.
Quem estiver naquela área, com um celular compatível e conectado à rede móvel, pode receber o aviso automaticamente. Por isso, o sistema não exige cadastro prévio, aplicativo instalado, pacote de dados ativo ou conexão à internet.
A lógica é alcançar rapidamente o maior número possível de pessoas em uma área sob risco, inclusive quem não se inscreveu em serviços de alerta por SMS. Por que toca mesmo no silencioso? O ponto central é o nível do alerta.
Segundo as regras do Defesa Civil Alerta, há diferenças entre os tipos de aviso.
Em alertas severos, o celular pode emitir um som mais simples, semelhante ao de uma mensagem comum, e o aviso não necessariamente toca se o aparelho estiver no silencioso. Já nos alertas extremos, a lógica é outra.
A mensagem aciona um som mais forte, parecido com uma sirene, mesmo que o celular esteja no modo silencioso.
Isso acontece porque esse tipo de alerta é reservado para situações em que há risco iminente ou muito grave à vida e à segurança da população. A ideia é que, diante de um risco real —como uma enchente repentina, deslizamento ou evento extremo—, a pessoa seja avisada mesmo se estiver dormindo, com o telefone bloqueado, usando outro aplicativo ou com as notificações comuns desativadas. Foi essa característica de segurança que fez o falso alerta causar tanto susto durante a madrugada.
Como a mensagem foi classificada como extrema, os celulares reagiram como reagiriam em uma emergência real. O alerta depende de internet? Não.
O Defesa Civil Alerta não depende de internet, Wi-Fi ou aplicativo.
A mensagem chega pela rede de telefonia móvel, usando a tecnologia Cell Broadcast. Isso também explica por que várias pessoas receberam o aviso ao mesmo tempo em cidades diferentes.
O disparo não funciona como uma conversa individual entre remetente e destinatário, mas como uma transmissão direcionada pelas antenas para os aparelhos dentro da área definida. Para receber o alerta, o celular precisa ser compatível com a tecnologia e estar conectado a uma rede móvel adequada no momento do envio.
Quem estiver apenas no Wi-Fi, sem conexão com a rede de telefonia, fora da área delimitada ou com aparelho incompatível pode não receber a mensagem. Dá para desligar esse tipo de alerta? Em alguns celulares, há configurações relacionadas a alertas de emergência e alertas governamentais.
Mas autoridades de defesa civil recomendam que esses avisos permaneçam ativados, porque eles são usados em situações em que a informação rápida pode evitar mortes. O alerta extremo é uma categoria pensada para risco grave.
Por isso, ele tem prioridade sobre configurações comuns do aparelho, como o modo silencioso ou o uso de outros aplicativos. A invasão relatada pela Defesa Civil Nacional expõe uma falha de segurança no uso da plataforma, mas não muda a finalidade do sistema: avisar a população com rapidez em situações de perigo real. O que aconteceu nesta madrugada Moradores de várias cidades relataram ter recebido mensagens com a palavra “misantropia” ou variações do termo.
O conteúdo não trazia orientação de proteção, indicação de área de risco nem relação com fenômenos climáticos. Segundo o dicionário Michaelis, misantropia significa aversão, desconfiança ou rejeição à humanidade.
O termo também pode ser associado a isolamento social, melancolia ou tristeza profunda.
Defesas civis estaduais e municipais, como as de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Salvador, afirmaram que não foram responsáveis pelo disparo e disseram que não havia, no momento, situação de risco que justificasse um alerta extremo. A Defesa Civil Nacional afirmou que a plataforma foi tirada do ar após a invasão.
Segundo o órgão, a Polícia Federal será acionada para investigar o caso.
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