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'Vou direto ao assunto kk': veja mensagens enviadas por estagiário do MP do Paraná que ofereceu advogada a acusado em troca de academia grátis

  • 29-05-2026 12:16


  • Estagiário do MP é demitido após oferecer ajuda jurídica em troca de academia grátis As mensagens enviadas por um estagiário de pós-graduação em Direito do Ministério Público do Paraná (MP-PR) levaram à demissão dele depois que o órgão descobriu que o rapaz tentou oferecer serviços de advocacia para um dono de academia acusado de violência doméstica.

    Em troca, ele pediu para não pagar pelos treinos na academia. Os prints mostram o então estagiário dizendo que iria "direto ao assunto" e solicitando isenção da mensalidade.

    O rapaz fazia residência técnica na Promotoria de Justiça de Pitanga, na região central do Paraná, e foi demitido no mesmo dia em que o MP soube da situação, em 5 de março de 2026.

    O nome dele não foi divulgado porque o processo corre em sigilo.

    Segundo o MP, como a denúncia está sob análise na Justiça, ainda não há defesa constituída para o ex-estagiário. ✅ Siga o g1 Ponta Grossa no WhatsApp 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Na negociação registrada, ele oferecia os serviços jurídicos da própria mãe ao homem em troca da vantagem.

    "Sugiro que você pegue um advogado particular mesmo, pelo que vi nos autos não tem provas nenhuma [sic] do que ela alega, e se você provar que ela está descumprindo as medidas é absolvição na certa", escreveu ele.

    "Acredito que dessa forma fique bom pra nós dois, caso você aceite", diz o estagiário nos prints. O caso foi descoberto porque a vítima, ex-companheira do acusado, ficou com o celular dele após a separação.

    Deste modo, ela viu a troca de mensagens com o estagiário e procurou as autoridades.

    Veja abaixo os prints com a transcrição: Estagiário contatou acusado de violência doméstica por mensagem Reprodução "Boa tarde, mestre, tudo bem? Bom, vou direto ao assunto kk, o caso do senhor veio parar aqui na promotoria que eu trabalho, e uma funcionária acabou comentando que o senhor iria pegar uma advogada dativa para acompanhar o processo. A minha mãe é advogada e eu gostaria de te fazer uma proposta.

    Esse mês meu carro estragou (só não explodiu porque Deus não quis) e estou bem apertado nas contas kk Conversei com ela e ela aceitou acompanhar seu processo, e a forma de pagamento seriam as nossas mensalidades do treino (minha e da XXXX).

    Acredito que dessa forma fique bom para nós dois, caso você aceite. Não sei se a sua opção por advogado dativo foi por conta do financeiro… se não foi, eu sugiro que você pegue um advogado particular mesmo, pelo que vi nos autos não tem provas nenhuma do que ela alega, e se você provar que ela está descumprindo as medidas é absolvição na certa kk Desculpe falar de um assunto particular assim por mensagem, não comentei nada com a XXXXX, mas imagino que te ajudaria”. Leia também: Veja vídeo: Motorista atropela homem propositalmente após briga em loja de conveniência Acidente: Casal de idosos fica preso às ferragens após carreta tombar, deslizar na pista e atingir carro deles Foragido: Homem é preso meio ano depois de invadir a casa da ex e tentar matar atual dela a facadas na frente dos filhos das vítimas Por quais crimes o estagiário pode responder? De acordo com o órgão, o estagiário tinha acesso à documentação sigilosa do caso e "teria se aproveitado da função para captar cliente e solicitar vantagem indevida". "Na intenção de captar o possível cliente para o escritório da mãe, ele teria dado a entender que sua posição dentro da Promotoria de Justiça seria benéfica ao acusado, com grande possibilidade de sucesso no desenrolar do processo", complementou o MP-PR. O estagiário atuava no MP-PR desde 7 de janeiro.

    Nesta quarta-feira (27), ele foi denunciado criminalmente pelo órgão pelos seguintes crimes: corrupção passiva (pena de reclusão, de dois a doze anos e multa); fraude processual, por ter tentado ocultar as mensagens trocadas com o homem que respondia ao processo (pena de detenção de três meses a dois anos e multa); violação de sigilo funcional (com pena prevista de detenção de seis meses a dois anos ou multa). "Em razão da gravidade concreta do fato, com grave comprometimento da confiança depositada e praticado no interior das dependências da Promotoria de Justiça, foi negado o oferecimento de acordo de não persecução penal", destaca o MP-PR. O g1 também questionou o órgão se o antigo estagiário possui, ou não, registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), mas o MP-PR disse não ter conhecimento da informação. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias em g1 Paraná .


    Fonte: G1